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Agência Sabiá

Cibersegurança no Mind The Sec 2024: Gabriel Bergel alerta para riscos além da tecnologia

Qual foi o principal alerta sobre cibersegurança no Mind The Sec 2024?

A principal mensagem de Gabriel Bergel no Mind The Sec 2024 foi clara: cibersegurança deixou de ser apenas um tema tecnológico e passou a impactar diretamente a sociedade, a economia e até a saúde pública.

No auditório lotado do evento, Bergel — um dos principais especialistas em cibersegurança da América Latina — provocou o público a repensar a segurança digital como um problema humano, organizacional e cultural, e não apenas técnico.

 

Segundo ele, a internet e os dispositivos digitais estão presentes em praticamente todos os aspectos da vida moderna: trabalho, educação, lazer e relacionamentos pessoais. Essa presença constante transforma a cibersegurança em um tema de interesse coletivo.

Bergel destacou ainda que o uso excessivo e descontrolado da tecnologia pode desencadear comportamentos compulsivos e outros distúrbios, ampliando o debate da segurança digital para o campo da saúde pública.

Quanto custam as falhas de cibersegurança para empresas?

 

Falhas de segurança corporativas podem gerar impactos financeiros e operacionais em escala global. Em 19 de julho de 2024, uma atualização de software derrubou os sistemas de cerca de 25% das maiores empresas do mundo.

O incidente causou o cancelamento de milhares de voos e gerou perdas estimadas de pelo menos 5,4 bilhões de dólares. Além disso, milhões de máquinas em empresas menores também foram afetadas, elevando os prejuízos em mais 700 milhões de dólares.

O ponto mais crítico, segundo Bergel, é que o problema não foi causado por um ataque hacker sofisticado, mas por uma falha no processo de controle de qualidade do software.

Por que ataques simples ainda representam grandes riscos?

Gabriel Bergel apresentou outro caso recente que evidencia como falhas humanas continuam sendo uma das maiores vulnerabilidades em segurança digital.

Em um ministério chileno, um criminoso utilizou apenas um celular, WhatsApp e mentiras para convencer guardas de segurança a removerem travas de proteção de laptops. Com isso, comparsas tiveram acesso ao prédio e roubaram um cofre e 23 computadores, incluindo o laptop do próprio ministro.

O caso ilustra que, muitas vezes, engenharia social e desatenção causam mais danos do que ataques tecnológicos avançados.

Esses exemplos reforçam que a cibersegurança precisa ir além da proteção de sistemas e envolver educação, processos e atenção contínua dentro das organizações.

Qual é o papel dos hackers éticos na cibersegurança?

Gabriel Bergel defende que hackers éticos desempenham um papel essencial na proteção da sociedade digital. Para ele, esses profissionais atuam como verdadeiros ativistas da cibersegurança, ajudando empresas e governos a corrigirem falhas críticas.

Apesar de frequentemente vistos de forma negativa, hackers éticos expõem vulnerabilidades antes que criminosos possam explorá-las, contribuindo para a segurança coletiva.

 

Um exemplo citado foi o de Barnaby Jack, que em 2010 demonstrou publicamente como caixas eletrônicos podiam ser transformados em “caça-níqueis”. Embora polêmica, a apresentação ajudou a impulsionar mudanças regulatórias em dispositivos médicos.

Outro caso emblemático foi o de Charlie Miller e Chris Valasek, que expuseram falhas em veículos da Jeep, levando a um recall de 1,4 milhão de carros.

Como a exposição de falhas pode proteger cidadãos?

Bergel também compartilhou experiências pessoais no Chile. Em um dos casos, uma falha de segurança expunha os salários de todos os trabalhadores do país.

Em outro, uma aplicação governamental de denúncias anônimas permitia que criminosos identificassem a localização de quem havia feito a denúncia, colocando cidadãos em risco direto.

Ao tornar essas falhas públicas, foi possível corrigir os problemas e evitar consequências graves para a população, reforçando o papel social da cibersegurança.

Qual é o futuro da cibersegurança segundo Gabriel Bergel?

Para Bergel, o futuro da cibersegurança passa necessariamente pela educação e conscientização contínua.

Em suas palestras, ele dedica parte do tempo a dialogar com jovens e a estimular discussões sobre segurança digital em ambientes familiares, educacionais e profissionais.

Ao encerrar sua apresentação no Mind The Sec 2024, deixou um convite direto ao público: falar sobre cibersegurança com avós, pais, filhos e colegas de trabalho.

 

Segundo ele, quando cada pessoa assume esse papel, a sociedade deixa de ser um conjunto de vulnerabilidades e passa a se tornar uma rede ativa de proteção contra riscos cibernéticos.

Pedro Braga

Fundador e Diretor Executivo da Agência Sabiá e Advisor da Match It.
Profissional de publicidade com mais de 20 anos de experiência no mercado. Ele é formado pela Escola Superior de Marketing (ESPM) e possui um MBA pela IESE Business School (Universidade de Navarra). Ele também é certificado em Gestão de Mudanças (PROSCI) e Marketing de Crescimento (Growth Hacking Institute). Pedro é responsável por gerenciar a qualidade das entregas e também pela gestão geral e estratégica da Sabiá.