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Agência Sabiá

No Digitalks 2024: Inovação para além dos silos empresariais

Insights apresentados no Digitalks Expo 2024 mostram que silos internos, baixa segurança psicológica e pouca centralidade no cliente seguem como os principais bloqueios à inovação real. 

O Digitalks Expo 2024 reuniu, em São Paulo, nos dias 25 e 26 de setembro, um ecossistema amplo do mercado digital — de influenciadores a executivos de grandes empresas. Entre demonstrações de novas ferramentas e painéis de tendências, um dos debates mais relevantes foi sobre inovação organizacional.

No palco Trends, Renato Carvalho, Head para a América Latina da Miro, apresentou a palestra “DNA de times inovativos”, trazendo reflexões práticas sobre como empresas transformam — ou deixam de transformar — estratégia em resultado em um contexto cada vez mais distribuído, colaborativo e pressionado por IA.

Por que declarar inovação como prioridade não é suficiente?

Inovação falha quando ela existe apenas no discurso estratégico, sem processos claros, métricas adequadas e uma cultura organizacional que sustente experimentação e colaboração no dia a dia.

Dados do relatório “Most Innovative Companies”, da Boston Consulting Group (BCG), indicam que a maioria dos executivos afirma que inovação está entre as principais prioridades de suas empresas, mas apenas uma parcela mínima se considera realmente preparada para inovar de forma consistente.

Esse descompasso mostra que priorizar inovação em apresentações e planejamentos é mais fácil do que estruturar times, incentivos e formas de trabalho que permitam que ela aconteça na prática.

O que são silos organizacionais e por que eles travam a inovação?

Inovação em silos ocorre quando áreas, times ou unidades de negócio trabalham de forma isolada, sem troca contínua de informações, aprendizados e objetivos compartilhados.

Quando produto, marketing, tecnologia e operações não colaboram entre si, ideias promissoras perdem velocidade, esforços são duplicados e decisões deixam de refletir a visão sistêmica do negócio.

Qual o papel da segurança psicológica na inovação?

Segurança psicológica é a condição em que membros de um time se sentem seguros para propor ideias, questionar decisões, admitir erros e experimentar sem medo de punição ou exposição negativa.

Estudos da professora Amy Edmondson, da Harvard Business School, mostram que equipes com alta segurança psicológica aprendem mais rápido, experimentam mais e conseguem inovar de forma mais consistente ao longo do tempo.

Como a centralidade no cliente orienta inovação sustentável?

Customer centricity significa colocar as necessidades reais do cliente no centro das decisões estratégicas e operacionais da empresa.

Quando diferentes áreas alinham suas prioridades a partir das dores, expectativas e comportamentos do cliente, a inovação deixa de ser aleatória e passa a gerar valor concreto, seja por meio de melhorias incrementais ou de novas soluções mais relevantes para o mercado.

O que líderes podem fazer agora para destravar a inovação?

  • Transformar inovação em prática operacional, com papéis, processos e métricas claras.
  • Reduzir silos organizacionais e incentivar colaboração entre áreas.
  • Criar ambientes de segurança psicológica, onde erro e aprendizado façam parte do processo.
  • Usar o cliente como principal critério de priorização de iniciativas.
  • Encarar ferramentas colaborativas como suporte, e não substituto, da cultura organizacional.

 

O principal aprendizado do Digitalks Expo 2024 é que inovação não depende apenas de tecnologia ou intenção estratégica. Ela acontece quando cultura, estrutura e comportamento organizacional estão alinhados para permitir que boas ideias se transformem em impacto real.

Vanessa Sensato

Vanessa Sensato é jornalista com mais de 15 anos de experiência em Comunicação nas áreas de inovação e empreendedorismo. Tem experiência na construção de reputação e na promoção e gestão de parcerias internacionais, envolvendo os setores público e privado.