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Agência Sabiá

Insights do HackTown 2024: O poder da Curadoria de Conteúdo

Curadoria de conteúdo é a prática humana de selecionar, organizar e conectar informações com contexto e intenção. Em um cenário dominado por algoritmos e excesso informacional, ela se tornou uma habilidade essencial para gerar significado, profundidade e impacto real.

 

O que é o HackTown e quando ele aconteceu em 2024?

O HackTown é um festival brasileiro de inovação, criatividade, tecnologia e cultura, realizado anualmente em Santa Rita do Sapucaí (MG). O evento se destaca por ocupar a cidade inteira com atividades presenciais, promovendo encontros entre profissionais de áreas diversas, empreendedores, criadores e pesquisadores.

A edição de 2024 ocorreu de 1 a 4 de agosto e reuniu centenas de palestrantes e atividades distribuídas por diferentes espaços da cidade, reforçando o caráter experimental, descentralizado e colaborativo do evento.

Quem é Beatriz Guarezi e por que sua visão sobre curadoria importa?

Beatriz Guarezi, também conhecida como Bia, é criadora de conteúdo, TedX Speaker, especialista em branding e autora da newsletter Bits to Brands. Atua há anos analisando tendências de comportamento, cultura digital e construção de marca, com foco em pensamento crítico e narrativa.

No HackTown 2024, sua palestra — “Criadores precisam ser curadores” — partiu de uma provocação simples, mas potente: em um mundo em que tudo pode ser gerado automaticamente, o valor humano está na escolha, no filtro e no contexto.

O que é curadoria de conteúdo, afinal?

Curadoria de conteúdo não é apenas reunir links, referências ou informações soltas. Trata-se de um processo ativo de:

  • Selecionar o que importa
  • Conectar ideias aparentemente desconectadas
  • Organizar informações com coerência
  • Criar sentido a partir do excesso

Em vez de acumular conteúdo, a curadoria constrói narrativa. Ela parte de um olhar humano, com intenção, repertório e responsabilidade sobre o impacto da informação compartilhada.

 

Qual a diferença entre curadoria humana e curadoria automatizada?

Plataformas como TikTok, Instagram ou YouTube utilizam algoritmos de recomendação baseados em sinais de comportamento — tempo de tela, cliques, curtidas e repetição de padrões. O objetivo principal desses sistemas é maximizar engajamento, não necessariamente ampliar repertório ou promover diversidade de pensamento.

A curadoria humana, por outro lado:

  • Parte de intenção consciente
  • Carrega opinião e sensibilidade
  • Conecta ideias com profundidade
  • Assume responsabilidade editorial

 

Enquanto o algoritmo reage ao comportamento passado, o curador humano propõe caminhos novos, muitas vezes fora da zona de conforto do público.

Por que a curadoria se tornou uma habilidade essencial hoje?

Vivemos um cenário de excesso de informação, em que o problema deixou de ser acesso e passou a ser seleção. O volume constante de conteúdos, notificações e estímulos pode gerar sobrecarga cognitiva e consumo superficial.

A curadoria surge como uma prática de sobrevivência intelectual: um filtro consciente que ajuda a construir repertório com qualidade, relevância e significado — em vez de apenas reagir ao fluxo infinito dos feeds.

 

Quais exemplos reais mostram o valor da curadoria de conteúdo?

Alguns projetos se tornaram referências justamente por assumirem um papel editorial claro:

  • Morning Brew, The Hustle e Daily Skimm cresceram ao transformar notícias complexas em narrativas acessíveis, com tom, linguagem e recorte editorial próprios.
  • O Reese’s Book Club, criado por Reese Witherspoon, usou a curadoria de livros com protagonistas femininas como eixo central de uma comunidade cultural e de negócios.

 

Por que Bia comparou informação com alimentação?

Durante a palestra, Bia propôs uma analogia direta: informação funciona como alimento. Assim como uma dieta desequilibrada afeta a saúde física, um consumo desordenado de conteúdo afeta a saúde mental.

Selecionar com cuidado o que lemos, assistimos e ouvimos é uma forma de nutrir a mente, evitando tanto a superficialidade quanto a exaustão informacional.

Como funciona a curadoria de um evento como o TEDx Blumenau?

Bia compartilhou o processo de curadoria aplicado ao TEDx Blumenau, estruturado em quatro etapas claras:

  1. Tema guarda-chuva
    Definição de um conceito central que orienta toda a programação.
  2. Desdobramentos do tema
    Exploração de diferentes perspectivas e leituras possíveis.
  3. Pessoas e conteúdos
    Seleção de palestrantes com vivência real e ideias relevantes.
  4. Checagem de histórico
    Avaliação de coerência, originalidade e adequação ao contexto do evento.

 

Esse modelo garante profundidade, diversidade e consistência narrativa.

O que significa dizer que “curadoria não é um momento”?

Para Bia, curadoria não acontece apenas em projetos pontuais. Ela deve ser encarada como uma lente permanente de observação do mundo.

É um estado de atenção contínua, que busca padrões, conexões e significados mesmo fora do óbvio — algo que não pode ser automatizado por completo.

 

 

Como organizar seu próprio “segundo cérebro” para curadoria?

Cada pessoa pode construir um sistema pessoal para registrar, organizar e conectar ideias relevantes — o chamado segundo cérebro. Isso pode ser feito com:

  • Notion
  • Trello
  • Confluence
  • Pastas no Drive
  • Cadernos físicos

 

A ferramenta importa menos do que a lógica de organização, que deve fazer sentido para quem a utiliza.

 

O que torna a curadoria verdadeiramente humana?

Curadoria humana nasce da combinação entre:

  • Experiência
  • Contexto
  • Sensibilidade
  • Curiosidade

 

Ela reconhece que ideias distantes podem gerar insights valiosos quando conectadas. Não é estoque automático de informação — é narrativa com intenção.

Por que um olhar curioso e amplo faz diferença?

Bia comenta que na hora de se capturar conteúdo, é interessante olhar para o que se tem de tema de preferência mas também para o que, por alguma razão ou por razão nenhuma te chamou a atenção. Por vezes, uma palestra sobre astrofísica pode trazer insights valiosos para uma pessoa que trabalha com moda. E vice-versa.

O olhar curioso, amplo, generoso e genuinamente interessado é a base de toda curadoria de alto impacto. E pode ser também um caminho para uma vida muito mais rica, multifacetada e interessante que a que te mostra o feed automatizado da sua rede social favorita.

 

Pedro Braga

Fundador e Diretor Executivo da Agência Sabiá e Advisor da Match It.
Profissional de publicidade com mais de 20 anos de experiência no mercado. Ele é formado pela Escola Superior de Marketing (ESPM) e possui um MBA pela IESE Business School (Universidade de Navarra). Ele também é certificado em Gestão de Mudanças (PROSCI) e Marketing de Crescimento (Growth Hacking Institute). Pedro é responsável por gerenciar a qualidade das entregas e também pela gestão geral e estratégica da Sabiá.